O livro / Gestão / capítulo 12 de 60

O que é uma crise e como lidar com ela

Adriano Meirinho · Marketing e Gestão Postos à Prova (2018) · 3 min de leitura

Quando uma crença ou uma esperança nossa está muito enraizada e se quebra, quando o que acredito ser não tem mais validação pelos outros, quando um ótimo profissional não recebe aumento, quando os recursos disponíveis são usados para os objetivos errados no momento errado, tudo isso pode gerar crises. Não importa se trata-se da esfera financeira, política, profissional ou pessoal, uma crise não se resume só a “quando tudo começa a dar errado”. Tudo começa a dar errado como consequência de uma sucessão de acontecimentos que podem ser percebidos, analisados e, principalmente, modificados. No dicionário, crise é cri-se | s.f latim crisis, grego krísis, ato de separar, decisão, julgamento, evento, momento decisivo ● ● ● ●

● ● ● ●

Mudança brusca produzida no estado de um doente, causada pela luta entre o agente agressor e o mecanismos de defesa. Período de manifestação aguda de uma doença: crise de apendicite. Manifestação violenta, repentina e breve de acesso: crise epilética. Conjuntura socioeconômica problemática, desequilíbrio entre bens de produção e de consumo, normalmente definida pelo aumento dos preços, pelo excesso de desemprego, de falências: crise econômica. [Figurado] Momento perigoso ou difícil; período de desordem. [Figurado] Situação conflituosa; tensão: crise familiar. [Figurado] Expressão de ausência, carência: crise de mão de obra. Em que há decadência; queda: crise de moralidade.

Crises relacionadas à saúde acontecem quando um doença chega a um ponto mais grave ou quando se perde o controle das emoções. Crises de idade acontecem quando as expectativas a partir de determinado ano passam a ser vencidas por uma realidade que consideramos pior, como na conhecida crise dos 30 anos. Crises sociais acontecem quando uma estrutura social é abalada gerando incertezas. Crises econômicas são resultado de indicadores negativos na economia, como desemprego e aumento da pobreza. Crises políticas são aquelas que ameaçam a continuidade de quem está no poder e a estabilidade política. O ponto em comum está na desordem, na tensão, no tumulto, na queda, na instabilidade, na discordância. A falta de acordo em meio ao caos resulta em ações também comuns de fragmentação em grupos de opiniões adversas, na inimizade, polarização. Vê-se claramente pela situação atual do Brasil, situação esta que poderia ser controlada com mais respeito e uso da razão. Como lidar com situações de crise?

Em qualquer um desses casos, nossa primeira reação é buscar a saída mais rápida. Correr para o portão de emergência, tomar a primeira ação que vem em mente. Outra reação comum é a paralisia. Desorientados pela mudança, o caminho ainda precisa ser trilhado e nosso senso de direção se desliga.

E o efeito dominó da crise continua: um setor vai derrubando o outro, uma crença, uma esperança. Quanto mais altas as expectativas, mais favorável o território para que a crise nasça e cresça. O ponto está em substituir as expectativas por ações racionais, conjuntas, plurais. Nesse processo em que existem mais agentes negativos do que positivos atuando, nós aceleramos, ficamos obsessivos, passamos por cima de quem e do que for. Transformamos amigos em inimigos, gritamos, nos debatemos. Quando a melhor reação que podemos ter é parar, respirar, analisar o cenário, encontrar os problemas, testar soluções. Juntos, com calma, com tato, com empatia.

Reclamar, brigar, fugir, acusar, justificar, paralisar, ou negar não vão adiantar de nada. O que adianta é cultivar uma rede saudável de proximidade, buscar estabilidade, sabedoria, respeito e atuar no problema de modo específico, com atenção, lucidez e concentrando todos os esforços para o mesmo fim. Criar redes de conexões reais e comunicar-se bem com as pessoas é a melhor forma de superar as dificuldades.

Prefere ler o livro inteiro?