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Prefácio

Adriano Meirinho · Marketing e Gestão Postos à Prova (2018) · 4 min de leitura

Sou Adriano Meirinho, muito prazer. Era o ano de 1995 e eu tinha 14 anos de idade. Estudava em um colégio técnico no curso de edificações, sonhava em trabalhar com construção civil e queria fazer faculdade de engenharia ou arquitetura. Certa vez comprei uma revista INFO e tinha uma mini revistinha ensinando como fazer uma página de internet em 10 passos. Achei aquilo interessante, afinal, eu adorava BBS e Internet e acreditava que este tipo de tecnologia seria algo promissor no futuro. Faltei na escola um dia e me debrucei naquela revistinha, afinal, queria ter meu endereço na internet. Fiquei um dia inteiro para fazer uma página com fundo branco, escrita com letras pretas. Dali em diante, eu percebi que precisava colocar algum tipo de imagem em minha página. Descobri um software gráfico e gratuito de nome Paint Shop Pro. Aprendi a mexer no software, fiz algumas evoluções em meu site e resolvi colocar um anúncio no maior classificados de negócios na época - o Primeiramão. Meu anúncio era simples, título e 4 linhas, onde vendia desenvolvimento de páginas de internet. Tive meu primeiro cliente. Um coordenador de um curso da melhor Universidade da América Latina. Minha missão era criar uma intranet para os professores publicarem seus artigos científicos. E então apareceram mais clientes - vídeo locadoras, transportadoras, empresas de cosméticos e outros. Desisti da área de construção civil. Eu realmente estava convencido que internet era algo promissor e do futuro! Era o ano de 1999 e com 17 anos eu fui chamado para fazer uma entrevista em uma grande empresa de Recursos Humanos do Brasil. Era uma sexta-feira e no mesmo dia fui contratado. Começaria na segunda-feira. A segunda-feira chegou e eu trabalhava no lugar dos meus sonhos de criança - na região da Av. Paulista no departamento de Internet da empresa, empresa esta que já estava no mercado há quase 30 anos. A missão do nosso departamento era levar o negócio para o ambiente digital. A empresa também acreditava que Internet era coisa do futuro. Li muito sobre o fundador da empresa e percebi que ele era visionário e empreendedor. Me senti no lugar certo, e a empresa tinha a mesma visão que a minha sobre internet. Depois de uns 3 meses de empresa, aprendi a programar em PHP, linguagem de programação moderna para a época dos primórdios da internet no Brasil. Aprendi a mexer

em banco de dados e meu trabalho lá era fazer design, cuidar da interface do site (o que hoje chamam de front-end) e atualizações de conteúdo. Eis que em um certo dia aconteceu algo que mudaria o futuro da minha carreira por completo. O presidente da empresa havia fechado um plano de marketing agressivo com o maior portal da internet da época. Iriamos ter banners em todo o portal e, como eu era o web designer, me deram a missão de criar os banners para publicarmos no portal. A missão foi cumprida em alguns dias, e lá estavam os banners no portal. Era o meu banner no maior portal da internet. Que emoção! Passaram alguns dias e me questionei: estes banners vendem algo? Quem clica nestes banners? De onde essas pessoas vem? Eram inúmeras dúvidas. Me remoia a noite pensando se aqueles banners davam algum resultado para a empresa. Eram R$ 500 mil reais por mês de investimento nestes banners! Era muito dinheiro. Muito dinheiro. Passou mais alguns dias e o portal me enviou um “relatório” dos banners. Era um PDF gigantesco de centenas de páginas, com nome dos banners, canais em que apareceram, quantas vezes apareceram e quantos cliques tiveram. Aquilo me dizia muito pouco e não respondia meus questionamentos, então resolvi criar um sistema para calcular o número de cliques, se aqueles cliques convertiam em vendas, quais banners tinham a melhor taxa de conversão em vendas, quais banners de quais canais convertiam mais. Super básico isso nos dias de hoje, não? Fiz minhas análises e fui falar com o gerente de contas do portal: -

Por favor, tire estes banners destes canais porque não convertem nada. Só gasto dinheiro com isso e não vende nada. Pago 1 real por clique para nada! Como assim não converte nada? Como você sabe disso? - me indagou o gerente de conta. Porque tenho um sistema que calcula isso e me indica qual banner tem o melhor resultado em vendas para nós! Nossa! Mas que sistema é este? Podemos ver? Seria interessante se todos nossos anunciantes tivessem isso, porque não deixaríamos de gastar inventário em canais que não convertem para os clientes, afinal, se não converte pra você, pode converter para outros clientes.

Mostrei o sistema para eles, mandei screenshots e passaram a ideia para outros clientes. Na mesma época, os anunciantes da internet até então se reuniam uma vez por mês para trocar experiências e passei também o conceito para eles! Sabe o que descobri? Descobri que eu tinha PODER. Tinha dados, análises e conseguia provar que aquele investimento para a empresa poderia fazer ou não sentido. Conseguia defender a empresa perante ao portal com dados e fatos. Percebi que quanto mais eu trabalhava para otimizar o investimento, mais eu conseguia provar que meu trabalho era necessário e importante e, que assim, eu poderia crescer junto da empresa.

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