O livro / Introdução / capítulo 07 de 60

É preciso entregar antes de ganhar

Adriano Meirinho · Marketing e Gestão Postos à Prova (2018) · 2 min de leitura

No mundo em que vivemos hoje, com a situação atual de crise, o molde do capitalismo e as relações de consumo cada vez mais pulsantes, não faz mais sentido entregar mais do que aquilo que se receberá em troca. E isso é uma pena. A maioria das mais fortes relações que construímos durante a vida se tratam de doação. Não, não estou falando de dinheiro, estou falando de troca sem cobrança imediata, de se entregar, de fazer mais do que o que nos é pedido. Fazemos isso por nossos pais, nossos amores, nossos filhos, nossos amigos. Fazemos isso para sermos bem quistos, para impressionar, por vontade própria e às vezes por vermos a necessidade no outro. Entretanto, quando se trata do ambiente de trabalho, pouco se faz nesse sentido. Na maioria das vezes nosso trabalho não é incluído em nossa vivência, é apenas considerado como o intervalo de ganha pão para a vida. Não é a toa que tanto se fala na impulsividade da geração Y e Z, na instabilidade financeira, na necessidade constante de mudança e falta de comprometimento com o trabalho. Não é questão de saudosismo, é questão de atenção, de valorização daquilo que temos a oferecer, de ir além para ver mais à frente a qualidade do que foi construído. Quando a moeda de troca era apenas o serviço, devolver 12 ovos após receber 12 ovos era um insulto. Era como impor um fim na relação, estabelecer o limite. O que fazia cada relação de troca tão necessária para a vida persistir era a “dívida”, aquele espacinho a mais que presumia que dali ainda havia algo para se entregar, para se doar.

A entrega antes do ganho, a disponibilidade de um pouquinho mais de tempo fora do horário de serviço para ajudar o colega de trabalho em uma atividade, o esforço criativo para desenvolver uma solução que trará satisfação verdadeira, o compartilhamento daquilo que se tem de melhor, mesmo que não seja exigido, é o atalho para relações mais fortes, mais reais, mais duradouras. Com o tempo vamos percebendo que são essas relações que constroem os alicerces para voos futuros. Para a instabilidade escolhida, e não a adquirida por falta de opção. Ainda precisamos uns dos outros em todas as instâncias da vida, afinal, ela se trata das pessoas que conhecemos e das coisas que criamos com elas. Todos esses aspectos são essenciais para trabalharmos com gosto e sermos bons gestores.

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